terça-feira, 24 de abril de 2018

Imaculada Conceição


(ou Soneto à minha primeira professora)

Vi uma mulher arrastada no chão.
Ela, de crianças cuida e educa,
até a cria da mão que machuca.
Professora: profissão, não missão.

Foi maculada por bruta mão vil,
Nesta cidade onde chovem viadutos
Estado de choque, gás e tumultos
Lembrou de seus pequenos, e sorriu.

Soldados armados do capital
tingem de rubro o obelisco Central
querendo às guerreiras, amedrontar.

Levanta Conceição, luta e ensina,
que seu exemplo será nossa sina
Sua aula está longe de acabar.


terça-feira, 15 de março de 2016

Filha de Sabarabussu

Sabará de ébano e ouro,
princesinha da estrada real.
Da índia kaxixó e do mouro,
e do emboaba de Portugal.  

Velhas de muitas histórias,
Berço da negra mais bela.
Rainha do Ndongo e Matamba,
sesmaria da nobre donzela.  

As ladeiras te elevam aos céus,
onde a roça grande acaba.
Carmo e Conceição e seus véus.
 
Olhos negros de jabuticaba,
Candura e força em uma só,
Que te guarde a Senhora do Ó!

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Urbi et Orbi (haikai)

Seja em Baltimore, em Gaza ou em Curitiba.
A luta acontece.
O povo resiste.

Com licença (poética)

à Fernando, Marcus, Bruno e Davi
Desço do ônibus na capital,
e nada me convida a sentar e
tomar um café com queijo minas
e goiabada cascão.
Em um não-lugar,
peixes do Apocalypse
sobrevoam à nado minha cabeça.
Amazonas guerreiam na Guaicurus.
Tudo cheira jasmim e gás lacrimogêneo.
Daqui há algum tempo terei trinta,
e de belo, não sobrou nem o
horizonte.
Chovem viadutos.
'Na cidade de Jeca Tatu que torce
pro Rogério Ceni'.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Minas Enigma

Fernando Sabino
Minas além do som, Minas Gerais.
(Carlos Drummond de Andrade)

Se sou mineiro? Bem, é conforme, dona. (Sei lá por que ela está perguntando?) Sou de Belzonte, uai.

Tudo é conforme. Basta nascer em Minas para ser mineiro? Que diabo é ser mineiro, afinal? Inglês misturado com oriental? É fumar cigarro de palha, como o poeta Emílio, de Dores do Indaiá? Autran fuma cachimbo. Tem até quem fume cigarro americano. (No bairro do Calafate havia uma fábrica de "Camel".) Em suma: ser mineiro é esperar pela cor da fumaça. É dormir no chão para não cair da cama. É plantar verde pra colher maduro. É não meter a mão em cumbuca. Não dar passo maior que as pernas. Não amarrar cachorro com lingüiça.

Porque mineiro não prega prego sem estopa. Mineiro não dá ponto sem nó. Mineiro não perde trem.

Mas compra bonde.

Compra. E vende pra paulista.

E vém mineiro. Ele não olha: espia. Não presta atenção: vigia só. Não conversa: confabula. Não combina: conspira. Não se vinga: espera. Faz parte do decálogo, que alguém já elaborou. E não enlouquece: piora. Ou declara, conforme manda a delicadeza. No mais, é confiar desconfiando. Dois é bom, três é comício. Devagar que eu tenho pressa.

Apólogo mineiro: o boi velho e o boi jovem, no alto do morro — lá embaixo uma porção de vacas pastando. O boizinho, incontido:

— Vamos descer correndo, correndo e pegar umas dez?

E o boizão, tranqüilamente:

— Não: vamos descer devagar, e pegar todas.

Mais vale um pássaro na mão. A Academia Mineira, há tempos, pagava um jeton ridículo: duzentos cruzeiros — antigos, é lógico. Um dos imortais, indignado, discursava o seu protesto:

— Precisamos dar um jeito nisso! Duzentos cruzeiros é uma vergonha! Ou quinhentos cruzeiros, ou nada!

Ao que um colega prudentemente aparteou:

— Pera lá: ou quinhentos cruzeiros, ou duzentos mesmo.

Quem nasce em Três Corações é tricordiano — haja vista Pelé. Quem nasce em Barbacena tem de escolher a Maternidade: ou é do Zezinho ou do Bias. E a Manchester Mineira, terra do Murilo Mendes? O poeta Nava foi-se embora: "parabéns a Pedro Nava, parabéns a Juiz de Fora". Itabira, calçada de ferro: não aceitou chamar-se Presidente Vargas, continuou digna do itabirano Carlos. E Ouro Preto continua digna de ser vista: ali é a casa do Rodrigo; Renato de Lima, ex-delegado e pianista amador, pintando junto à Casa dos Contos. Afonso é de Paracatu. Em Sabará nasceram Lúcia e Aníbal, além de outros ilustres Machados. Alphonsus, o solitário de Mariana. Os profetas de Congonhas. A cidade de Tiradentes — o que não tinha barbas. O Aleijadinho não tinha mãos. São João del Rei, onde nasceu Otto, o que morrerá batendo papo. Solidário só no câncer? Absolutamente, dona: nas virtudes também, uai. Haja vista a Tradicional Família Mineira, que Deus a tenha. As estações de águas: lembrança de São Lourenço, escrito num copinho. E Lambari, terra de Henriqueta! Monte Santo tem a rua mais iluminada do mundo. E uma ambulância com sirene, que seu filho Castejon arranjou. Itaúna fica num quarto andar do Leblon, no apartamento de Marco Aurélio, o bom. Jeremias, outro bom, mineiro como Ziraldo. Os bonecos de Borjalo só ganharam boca depois que começaram a falar. Mineiro por todo lado! O poeta Pellegrino, como psiquiatra, tem garantida uma numerosa clientela. Amílcar modela Minas em arame. Paulo encontrou Minas depois que saiu de lá. João Leite levou-a para São Paulo, Alphonsus para Brasília, Guilhermino para o Sul. João Camilo ficou. Etiene voltou. Paulo Lima voltou. Iglezias voltou. Jaques voltou.Figueiró continua, Rubião recomeçou.

Um Estado de nariz imenso, um estado de espírito: um jeito de ser. Manhoso, ladino, cauteloso, desconfiado — prudência e capitalização.

O guarda-chuva da proteção financeira, não como lema do Banco do Magalhães mais o Zé Luís, e sim como regra de conduta:

— Meu filho, ouça bem o seu pai: se sair à rua, leve o guarda-chuva, mas não leve dinheiro. Se levar, não entre em lugar nenhum. Se entrar, não faça despesas. Se fizer, não puxe a carteira. Se puxar, não pague. Se pagar, pague somente a sua.

Mas todos os princípios se desmoronam diante de um lombo de porco com rodelas de limão, tutu de feijão com torresmos, lingüiça frita com farofa. De sobremesa, goiabada cascão com queijo palmira. Depois, cafezinho requentado com requeijão. Aceita um pão de queijo? biscoito polvilho? brevidade? ou quem sabe uma broinha de fubá? Não, dona, obrigado. As quitandas me apertencem, mas prefiro bolinho de januária, e pronto: estou sastifeito...

É a hora e a vez de Guimarães Rosa sorrir e dizer pra cumpadre meu Quelemén: perigoso nada, mira e veja, nas Gerais, essas coisas...

Falar de Minas, trem danado, sô. É falar no mundo misterioso de Lúcio Cardoso, Cornélio Pena ou Rosário Fusco, no mundo irônico, esquivo ou pitoresco de Cyro dos Anjos, Oswaldo Alves, Mário Palmério, seus romancistas. E num mundo de gente, seus personagens, que vão de Antônio Carlos a Milton Campos, de Bernardes a Juscelino — vasto mundo! ah, se eu me chamasse Raimundo. Dentro de mim uma corrente de nomes e evocações antigas, fluindo como o Rio das Velhas no seu leito de pedras, entre cidades imemoriais. Leopoldina, doce de manga, terra de meus pais... Prefiro estancá-las no tempo, a exaurir-me em impressões arrancadas aos pedaços, e que aos poucos descobririam o que resta de precioso em mim — o mistério da minha terra, desafiando-me como a esfinge com o seu enigma: decifra-me , ou devoro-te.

Prefiro ser devorado.

Chuvas

Em Minas Gerais chove:
Helicópteros com cocaína,
viadutos e lama tóxica.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Racista Adversativo

Se fosse possível classificar
nossos preconceitos cotidanos,
tal qual a boa gramática,
com análise morfológica e sintática,
surgiriam tipos bem característicos
de racistas.

O racista substantivo é aquele que dá
nome. Humilha, achincalha, despreza.

O racista adjetivo é o que atribui qualidades
(quase sempre negativas).

Um tipo especialmente perigoso de
racista é o racista verbo. Pratica as
mais vis e desumanas ações. Espanca,
agride, violenta.

Por outro lado temos o racista sujeito simples.
Ele comete suas injúrias sozinho.
As vezes se torna composto, quando se
alia à outros como ele.

Algumas vezes ele é um racista oculto.
Passa despercebido, mas a verdade é que ele está lá.

O racista predicado é o que afirma que
só está sendo o alvo de uma ação e está
respondendo a altura.

O racista advérbio é uma espécie de
pregador do preconceito. Tenta converter
e modificar os que estão a sua volta.

O meu racista gramatical preferido é o racista adversativo.
Ele jura que não é racista, até diz que tem amigos
ou um pé em algum lugar.
Ele faz questão de afirmar em alto e bom som
que não é racista, só para depois dizer:

mas,
porém,
todavia,
contudo,
entretanto,
no entanto,
não obstante,

e esbanjar triunfantemente todo o racismo a que tem direito.

E se tornar um racista superlativo.


quinta-feira, 2 de abril de 2015

Inocências perdidas

Uma menina na Síria, em um campo
de refugiados, confundiu uma câmera
com uma arma e se rendeu.

O mundo inteiro se comoveu
com tão triste cena.  

Disseram que uma criança não
deveria ter sua infância destruída
daquela maneira.

Naquele mesmo instante,
um menino negro, em uma favela
no Brasil, confundiu uma arma
com uma câmera e sorriu.

Levou um tiro de "12" e morreu.

Quase ninguém se importou com
assassinato tão covarde e brutal.

Na semana seguinte, disseram que
uma criança deveria ser julgada e
condenada como um adulto. 

sábado, 28 de março de 2015

À segunda vista

Quando a noite escura em mim se abateu
e a esperança da paixão se desfez.
Sensação de que tudo se perdeu
boa intenção transformada em insensatez.

Mas meus olhos pousaram sobre os teus
descobriram a beleza e a candura.
De alegria, o meu mundo se encheu,
sentimento de afeto e de ternura.

Seu sorriso trouxe de volta a paz,
resposta que somente o tempo traz.
De repente, de súbito ocorreu,

à primeira vista, a amizade nasceu,
levou embora o pranto, o medo, a dor.
À segunda vista, encontrei o amor.

sábado, 27 de dezembro de 2014

O terrível dom

Eu tenho um terrível dom,
talvez único no mundo.
Eu tenho o dom de estragar
todas as coisas.

Nunca disse eu te amo,
preferia me calar.
Nunca me sacrifiquei por você,
nem troquei meus programas
para ficar contigo.

Nunca cuidei de você quando
ficou doente. Também nunca sorri com você porque conquistaste alguma coisa.
Nunca te dei
presentes sem motivo ou
ocasião.
Nunca te escrevi
poemas, fiz desenhos ou canções
de amor.

Nunca fiz nada disso, por que
tenho o dom de estragar todas as coisas.

Não te devo satisfação das coisas que faço. Não te devo desculpas, pois nunca me importei em te magoar. Nunca te agradeci por nada que me fizeste, nunca lutei por você, nunca me entreguei por você. E se não me amas mais, é exatamente por isso: eu tenho o dom de estragar todas as coisas.

Nunca rezei com você, nunca chorei com você,
nunca sofri com você, nunca cresci com você,
se teus melhores dias são os que não me vê é unicamente pelo fato de que eu tenho o dom de estragar todas as coisas.

Estrago teu sonho,
estrago teu sorriso,
estrago tua alegria.

Não o faço por que quero, mas porque tenho o dom de estragar todas as coisas.

 Simplesmente assim:

o terrível dom de estragar todas as coisas.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Simpatia

Para conseguir atrair felicidade,
não é preciso muita criatividade.
Basta uma dose de simplicidade
e um pouquinho de vontade.

Não é necessário muito dinheiro,
nem conquistar o mundo inteiro.
Não importa se é mineiro,
ou do Rio de Janeiro.

Durante a virada do ano,
pegue nove sementes de romã,
mergulhadas a noite inteira
em um suco de maçã.

Três se jogam para trás
pensando no que mais desejar,
em homenagem ao rei mago,
o africano Baltazar.

Três se põem na carteira
dentro de um saco vermelho.
As três últimas se engole,
como diz o bom conselho.

O segredo da felicidade
não é a cor da calcinha,
nem se é pescoço de peru
ou se é coxa de galinha.

Para conseguir atrair felicidade,
basta um pouquinho de bondade,
ter alguém com quem se dance,
e que nunca falte um bom romã-se!






sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Olhar da janela

No pavilhão feminino,
ela me olha pela janela.
O céu está nublado,
o sol não mostrou seu rosto.
Ela continua me olhando pela janela.

O vazio é o que preenche.
Paradoxos? Nos interstícios
disputam espaço o medo e
esperança (ó dura palavra e nobre sentimento)    

Ela disse que tudo ia ficar bem.
Mas de longe, ao vê-la me olhar
pela janela, não percebo seu
sorriso cativante e o brilho
em seus olhos.

Ela acena. (Será a redenção?)
Ela exita. (Busco sinais)

Ela continua a me olhar pela
janela.

Sinto seu medo nessa cena
distante. Dúvidas, receios,
incertezas.

É primavera em tão distante
recôndito de minha terra. Deixo
minha flor na janela, pois agora ela
deve criar raízes.

Devo regar. (Nem muito para não encharcar, nem pouco para não
sufocar).

Fui embora.
Mas ela continuou a olhar pela
janela.

domingo, 19 de outubro de 2014

Elo

Nem a longa distancia intransponível
E nem o passado que tudo assola.
Nem o presente, instante perecível,
Ou a saudade que o tempo não consola.

Como a primavera que sempre volta,
Como a palavra dita que ecoa.
Como o linho raro que não desbota,
Como a mãe que ao filho abençoa.

É uma dádiva humana e divina,
Nasce do encanto e da admiração.
Tem mais valor que a pedra mais fina.

Faz morada dentro do coração.
O amor é o mais sublime e mais belo,
O mais forte e inquebrantável dos elos.

sábado, 18 de outubro de 2014

Soldado de Chumbo e a Bailarina

É fácil gostar do perfeito.
É fácil gostar do belo, do completo,
do que faz sentido. No calor do dia,
nos bons momentos. É fácil gostar
quando tudo nos diz sim.

Porém, só se ama verdadeiramente
quando se ama quando menos se merece.

Quando tudo parecer contrário,
quando todos disserem não,
quando a estrada parecer difícil,
quando a noite for longa e as
lágrimas insistirem em cair.

O amor existe em um barco de papel a deriva
em uma corrente de água da chuva.

O amor existe em um rio escuro e frio, na dor
da solidão.

O amor existe na barriga de um peixe.

O amor é o que nos motiva, o que nos dá forças
para continuar, é a essência da resiliência e a
substancia da esperança.

Não se explica, não se entende.
Se sente.


Erosão

Montanhas ao derredor se erguiam intransponíveis.
No silencio da noite, irrompiam seus gritos.
Gemidos inexprimíveis, desesperados, porém, mudos.
Seu coração, escondido na profundeza, parecia rocha,
mas era carne. E sangrava.

Seu perfil revelava sua idade e sua formação,
mas não contava sua verdade, muito menos sua dor.
Intempéries milenares, duras, indiferentes, sem
pudor, sem escrúpulo, sem reverência. Lentas, cálidas,
e ainda assim violentas.

A fé, menor que um grão de mostarda, sem força
para lançar a montanha ao mar. Só resta esperar.
(quanto? não se sabe).
Entropia. Erosão.

Do pó viemos e ao pó voltaremos.


quinta-feira, 13 de junho de 2013

Torcer ou não torcer, eis a questão?


Certa vez, Luiz Fernando Veríssimo escreveu que o momento mais contraditório para o coração brasileiro, amante do futebol, foi a Copa de 1970.

Torcer para a Seleção era de alguma forma, ser conivente com todo aquele movimento ufanista, do "Brasil, ame-o ou deixe-o" e os noventa milhões em ação, assim como com as torturas que aconteciam nos porões da ditadura.

Por outro lado, como não torcer para uma selação que tinha Pelé, Rivelino, PC Cajú, Carlos Alberto, Tostão, Clodoaldo, Jaizinho, Gérson entre outros?

Estamos mais uma vez vivendo um momento de contradição. Nunca foi tão fácil e tão difícil torcer pela seleção e pela copa no Brasil.

Não porque nossa seleção é tão boa quanto a de 70 (muito pelo contrário - nossos canarinhos são milionários que jogam em times europeus, alguns há tanto tempo que ninguém nem lembra de já ter gritado o nome deles nos times daqui, uma seleção sem carisma, cheia de volantes, com uma estrela - cadente de tanto que é cai cai - com um treinador retranqueiro e ultrapassado), mas porque a Copa é nossa.

Se por um lado é muito legal ver a cidade toda enfeitada com as cores da Copa (mesmo a das confederações), com muitos estrangeiros, novos estádios, mascotes nos produtos, shows espalhados pela cidade, um clima bastante empolgante; por outro, ver uma Lei Geral da Copa ferir nossa autonomia em nome de uma entidade com um histórico quilométrico de fraudes e corrupção como a FIFA, gastos exorbitantes para reformar estádios (sendo que muitos são verdadeiros elefantes brancos), recursos públicos para garantir o lucro de empresas privadas é muito triste.

É triste saber que nossos doces, quitutes, produtos artesanais não poderão ser vendidos porque não são produtos oficiais licenciados pela FIFA. Aquilo que consideramos mais sagrado e tradicional do nosso futebol ser varrido de lado devido às regras de comportamento, e principalmente nosso povo ser expulso dos estádios por conta dos valores absurdos para nossa realidade terceiromundista.

Nos prometeram que as copas (e as olimpíadas) trariam reformas na infraestrutura que seriam herdadas pela nossa população. Quase todas as obras estão atrasadas e já se veicula que não ficarão prontas para os eventos - quem sabe se um dia ficarão prontas?

Mas a copa do mundo é nossa. Quem sabe quando ela voltará a ser aqui. É nossa chance de nos livrarmos da pecha histórica infamante do 'maracanazo', de voltarmos a gostar de Futebol, de amar nossa seleção, torcer por ela. Nós, nossa torcida, nosso povo, inventarmos novas canções (porque a chata "Sou brasileiro com muito orgulho e com muito amor" já deu o que tinha que dar) e reinventarmos nosso jeito de torcer.

Que essa Copa nos traga muitas felicidades.
Nosso povo precisa, nosso povo merece.
Mas mais do que isso, que essa Copa nos faça refletir sobre quem somos, quais as nossas prioridades, e principalmente, qual país queremos ser.

Muita força para o povo brasileiro em sua luta histórica pela emancipação!
Muito sucesso para nossa esquete canarinha!

Como Gonzaguinha nos ensinou, viva o povo brasileiro, trabalhador, que não foge da luta, não corre da raia e que constrói a manhã desejada! E nós estamos pelaí!

Daniel Braga
Historiador, professor, brasileiro.

domingo, 7 de abril de 2013

Pátria Amada

Tu sente a dor mas não sabe de onde veio a pancada.
Nasceu inocente e puro, e cresce aprendendo se prendendo e se corrompendo.
Você tem um sonho, terá de comprá-lo. O preço é a própria submissão.
Há o mundo perfeito onde há plenitude, sucesso e prestações fixas.
Sua voz tem poder, tem timbre. Mas é sufocada pelo som do canal 12.
E o umbigo foi importante até você nascer, mas olha só pra ele o tempo todo.
Existe um pastor no poder, mas existe poder num pastor?
Não há quem consiga mandar onde ninguem obedeça, mas obedecemos demais.
Rede social: A rede te prendeu e o social nunca existiu.
E a necessidade de SER foi substituída pela necessidade de TER.
o pátria amada!...
 Cristiano Coimbra

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Revela-te


(“Por ser encantado, o amor revela-se” - Djavan)

Dediquei-me a um acróstico escrever,
Mas no dicionário, teu nome não encontrei.
Os livros antigos insistiam em esconder,
À ela em segredo, o que entre letras revelei.

As constelações se encheram de ciúmes,
Mesmo a lua, diante da beleza se escondeu.
Cantada em verso e prosa até os cumes,
ou num silencio de um vale, sentimento que nasceu.

Não haviam batizado uma estrela,
sequer homenageado uma flor.
Era nome tão intimo e belo, que revelaria o amor.

Nem nos sagrados textos estava,
Nem título dava a canção.
O nome misterioso estava gravado no coração.

terça-feira, 10 de abril de 2012

O jasmim

O encanto surgiu de repente,
da mais singela das flores.
Esperança renova e se sente,
renascer suspiros de amores.

Seu perfume exalado no ar,
traz a paz que ilumina e abençoa.
Sua candura fiel a inspirar,
seu sorriso nos ares ecoa.

A pura semente lançada,
bem cuidada, com fé, germinou,
na rocha, a dama da noite brotou.

O brilho da estrela desperta
e anuncia seu desabrochar,
e abre o coração, pro raro gosto do amar.

Víscera

Joguei fora meu coração.

Joguei fora meu coração,
não porque não batesse mais,
mas por causa das desilusões.

Coração é músculo, é víscera,
tripa, pedaço de carne.
Pulsa, é verdade, mas é
só um pedaço de carne,
Conjunto de tecidos, células...

Joguei fora por não me interessar mais
(ainda que a vida me interesse).

Joguei fora meu coração
pois, só cumpria sua função de bater.
E bate, quase sempre, forte.