No pavilhão feminino,
ela me olha pela janela.
O céu está nublado,
o sol não mostrou seu rosto.
Ela continua me olhando pela janela.
O vazio é o que preenche.
Paradoxos? Nos interstícios
disputam espaço o medo e
esperança (ó dura palavra e nobre sentimento)
Ela disse que tudo ia ficar bem.
Mas de longe, ao vê-la me olhar
pela janela, não percebo seu
sorriso cativante e o brilho
em seus olhos.
Ela acena. (Será a redenção?)
Ela exita. (Busco sinais)
Ela continua a me olhar pela
janela.
Sinto seu medo nessa cena
distante. Dúvidas, receios,
incertezas.
É primavera em tão distante
recôndito de minha terra. Deixo
minha flor na janela, pois agora ela
deve criar raízes.
Devo regar. (Nem muito para não encharcar, nem pouco para não
sufocar).
Fui embora.
Mas ela continuou a olhar pela
janela.
Inconfidência (in-con-fi-dên-cia) s. f. - Falta de fé ou de fidelidade para com alguém, especialmente para com o Estado ou o soberano; - Infidelidade, revelação do segredo confiado Subversivo (sub-ver-si-vo) adj. - Próprio para subverter, para solapar o estado de coisas estabelecido: propósitos subversivos. "Ah, Minas Gerais: de onde vem essa rua permanente, clandestina, diária, camuflada, subversiva inconfidência"? (Poema "Por que sonhas, Minas" de Roberto Drummond)
sexta-feira, 5 de dezembro de 2014
domingo, 19 de outubro de 2014
Elo
Nem a longa distancia intransponível
E nem o passado que tudo assola.
Nem o presente, instante perecível,
Ou a saudade que o tempo não consola.
Como a primavera que sempre volta,
Como a palavra dita que ecoa.
Como o linho raro que não desbota,
Como a mãe que ao filho abençoa.
É uma dádiva humana e divina,
Nasce do encanto e da admiração.
Tem mais valor que a pedra mais fina.
Faz morada dentro do coração.
O amor é o mais sublime e mais belo,
O mais forte e inquebrantável dos elos.
E nem o passado que tudo assola.
Nem o presente, instante perecível,
Ou a saudade que o tempo não consola.
Como a primavera que sempre volta,
Como a palavra dita que ecoa.
Como o linho raro que não desbota,
Como a mãe que ao filho abençoa.
É uma dádiva humana e divina,
Nasce do encanto e da admiração.
Tem mais valor que a pedra mais fina.
Faz morada dentro do coração.
O amor é o mais sublime e mais belo,
O mais forte e inquebrantável dos elos.
sábado, 18 de outubro de 2014
Soldado de Chumbo e a Bailarina
É fácil gostar do perfeito.
É fácil gostar do belo, do completo,
do que faz sentido. No calor do dia,
nos bons momentos. É fácil gostar
quando tudo nos diz sim.
Porém, só se ama verdadeiramente
quando se ama quando menos se merece.
Quando tudo parecer contrário,
quando todos disserem não,
quando a estrada parecer difícil,
quando a noite for longa e as
lágrimas insistirem em cair.
O amor existe em um barco de papel a deriva
em uma corrente de água da chuva.
O amor existe em um rio escuro e frio, na dor
da solidão.
O amor existe na barriga de um peixe.
O amor é o que nos motiva, o que nos dá forças
para continuar, é a essência da resiliência e a
substancia da esperança.
Não se explica, não se entende.
Se sente.
É fácil gostar do belo, do completo,
do que faz sentido. No calor do dia,
nos bons momentos. É fácil gostar
quando tudo nos diz sim.
Porém, só se ama verdadeiramente
quando se ama quando menos se merece.
Quando tudo parecer contrário,
quando todos disserem não,
quando a estrada parecer difícil,
quando a noite for longa e as
lágrimas insistirem em cair.
O amor existe em um barco de papel a deriva
em uma corrente de água da chuva.
O amor existe em um rio escuro e frio, na dor
da solidão.
O amor existe na barriga de um peixe.
O amor é o que nos motiva, o que nos dá forças
para continuar, é a essência da resiliência e a
substancia da esperança.
Não se explica, não se entende.
Se sente.
Erosão
Montanhas ao derredor se erguiam intransponíveis.
No silencio da noite, irrompiam seus gritos.
Gemidos inexprimíveis, desesperados, porém, mudos.
Seu coração, escondido na profundeza, parecia rocha,
mas era carne. E sangrava.
Seu perfil revelava sua idade e sua formação,
mas não contava sua verdade, muito menos sua dor.
Intempéries milenares, duras, indiferentes, sem
pudor, sem escrúpulo, sem reverência. Lentas, cálidas,
e ainda assim violentas.
A fé, menor que um grão de mostarda, sem força
para lançar a montanha ao mar. Só resta esperar.
(quanto? não se sabe).
Entropia. Erosão.
Do pó viemos e ao pó voltaremos.
No silencio da noite, irrompiam seus gritos.
Gemidos inexprimíveis, desesperados, porém, mudos.
Seu coração, escondido na profundeza, parecia rocha,
mas era carne. E sangrava.
Seu perfil revelava sua idade e sua formação,
mas não contava sua verdade, muito menos sua dor.
Intempéries milenares, duras, indiferentes, sem
pudor, sem escrúpulo, sem reverência. Lentas, cálidas,
e ainda assim violentas.
A fé, menor que um grão de mostarda, sem força
para lançar a montanha ao mar. Só resta esperar.
(quanto? não se sabe).
Entropia. Erosão.
Do pó viemos e ao pó voltaremos.
quinta-feira, 13 de junho de 2013
Torcer ou não torcer, eis a questão?
Certa vez, Luiz Fernando Veríssimo escreveu que o momento mais
contraditório para o coração brasileiro, amante do futebol, foi a Copa
de 1970.
Torcer para a Seleção era de alguma forma, ser
conivente com todo aquele movimento ufanista, do "Brasil, ame-o ou
deixe-o" e os noventa milhões em ação, assim como com as torturas que
aconteciam nos porões da ditadura.
Por outro lado, como não
torcer para uma selação que tinha Pelé, Rivelino, PC Cajú, Carlos
Alberto, Tostão, Clodoaldo, Jaizinho, Gérson entre outros?
Estamos mais uma vez vivendo um momento de contradição. Nunca foi tão
fácil e tão difícil torcer pela seleção e pela copa no Brasil.
Não porque nossa seleção é tão boa quanto a de 70 (muito pelo contrário
- nossos canarinhos são milionários que jogam em times europeus, alguns
há tanto tempo que ninguém nem lembra de já ter gritado o nome deles
nos times daqui, uma seleção sem carisma, cheia de volantes, com uma
estrela - cadente de tanto que é cai cai - com um treinador retranqueiro
e ultrapassado), mas porque a Copa é nossa.
Se por um lado é
muito legal ver a cidade toda enfeitada com as cores da Copa (mesmo a
das confederações), com muitos estrangeiros, novos estádios, mascotes
nos produtos, shows espalhados pela cidade, um clima bastante
empolgante; por outro, ver uma Lei Geral da Copa ferir nossa autonomia
em nome de uma entidade com um histórico quilométrico de fraudes e
corrupção como a FIFA, gastos exorbitantes para reformar estádios (sendo
que muitos são verdadeiros elefantes brancos), recursos públicos para
garantir o lucro de empresas privadas é muito triste.
É triste
saber que nossos doces, quitutes, produtos artesanais não poderão ser
vendidos porque não são produtos oficiais licenciados pela FIFA. Aquilo
que consideramos mais sagrado e tradicional do nosso futebol ser varrido
de lado devido às regras de comportamento, e principalmente nosso povo
ser expulso dos estádios por conta dos valores absurdos para nossa
realidade terceiromundista.
Nos prometeram que as copas (e as
olimpíadas) trariam reformas na infraestrutura que seriam herdadas pela
nossa população. Quase todas as obras estão atrasadas e já se veicula
que não ficarão prontas para os eventos - quem sabe se um dia ficarão
prontas?
Mas a copa do mundo é nossa. Quem sabe quando ela
voltará a ser aqui. É nossa chance de nos livrarmos da pecha histórica
infamante do 'maracanazo', de voltarmos a gostar de Futebol, de amar
nossa seleção, torcer por ela. Nós, nossa torcida, nosso povo,
inventarmos novas canções (porque a chata "Sou brasileiro com muito
orgulho e com muito amor" já deu o que tinha que dar) e reinventarmos
nosso jeito de torcer.
Que essa Copa nos traga muitas felicidades.
Nosso povo precisa, nosso povo merece.
Mas mais do que isso, que essa Copa nos faça refletir sobre quem somos,
quais as nossas prioridades, e principalmente, qual país queremos ser.
Muita força para o povo brasileiro em sua luta histórica pela emancipação!
Muito sucesso para nossa esquete canarinha!
Como Gonzaguinha nos ensinou, viva o povo brasileiro, trabalhador, que
não foge da luta, não corre da raia e que constrói a manhã desejada! E
nós estamos pelaí!
Daniel Braga
Historiador, professor, brasileiro.
domingo, 7 de abril de 2013
Pátria Amada
Tu sente a dor mas não sabe de onde veio a pancada.
Nasceu inocente e puro, e cresce aprendendo se prendendo e se corrompendo.
Você tem um sonho, terá de comprá-lo. O preço é a própria submissão.
Há o mundo perfeito onde há plenitude, sucesso e prestações fixas.
Sua voz tem poder, tem timbre. Mas é sufocada pelo som do canal 12.
E o umbigo foi importante até você nascer, mas olha só pra ele o tempo todo.
Existe um pastor no poder, mas existe poder num pastor?
Não há quem consiga mandar onde ninguem obedeça, mas obedecemos demais.
Rede social: A rede te prendeu e o social nunca existiu.
E a necessidade de SER foi substituída pela necessidade de TER.
o pátria amada!...
Cristiano Coimbra
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
Revela-te
(“Por ser encantado, o amor revela-se” - Djavan)
Dediquei-me a um acróstico escrever,
Mas no dicionário, teu nome não encontrei.
Os livros antigos insistiam em esconder,
À ela em segredo, o que entre letras revelei.
As constelações se encheram de ciúmes,
Mesmo a lua, diante da beleza se escondeu.
Cantada em verso e prosa até os cumes,
ou num silencio de um vale, sentimento que nasceu.
Não haviam batizado uma estrela,
sequer homenageado uma flor.
Era nome tão intimo e belo, que revelaria o amor.
Nem nos sagrados textos estava,
Nem título dava a canção.
O nome misterioso estava gravado no coração.
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