De prosa e verso se faz a história
como em um sonho louco de um louco Deus
Que não sabe o que faz, só sabe que escreve,
e luta.
Luta contra palavras que insistem em fazer
sentido quando o que menos há é sentido.
Quando o surreal passa a fazer parte do
real e o irreal é a própria vida.
E o poeta se encontra sozinho, como
um rei sem súdito, teatro sem platéia.
Perdido em dores, lagrimar, sofrimentos
e palavras.
Inconfidência (in-con-fi-dên-cia) s. f. - Falta de fé ou de fidelidade para com alguém, especialmente para com o Estado ou o soberano; - Infidelidade, revelação do segredo confiado Subversivo (sub-ver-si-vo) adj. - Próprio para subverter, para solapar o estado de coisas estabelecido: propósitos subversivos. "Ah, Minas Gerais: de onde vem essa rua permanente, clandestina, diária, camuflada, subversiva inconfidência"? (Poema "Por que sonhas, Minas" de Roberto Drummond)
domingo, 27 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
Porque desisti de escrever poesias sobre amor
Queria escrever um poema
com métrica e rimas.
Rimas internas e externas
ABBA, AABB.
Redondilhas menores e
redondilhas maiores.
Com estrofes, versos,
estribilho e contraversos.
Talvez um poema épico
ou mesmo uma canção.
Quem sabe um soneto
com seus quartetos e tercetos.
Queria compor uma poesia
de amor, dessas que
a gente lê em placas
de caminhão. Essas bonitas
que fazem os olhos
lacrimejarem e o sorriso brilhar.
Desisti porque enquanto
fazia a escansão, não
vi a paixão ir embora.
Um grande amor, súbito
e arrebatador não
cabe em um verso alexandrino.
com métrica e rimas.
Rimas internas e externas
ABBA, AABB.
Redondilhas menores e
redondilhas maiores.
Com estrofes, versos,
estribilho e contraversos.
Talvez um poema épico
ou mesmo uma canção.
Quem sabe um soneto
com seus quartetos e tercetos.
Queria compor uma poesia
de amor, dessas que
a gente lê em placas
de caminhão. Essas bonitas
que fazem os olhos
lacrimejarem e o sorriso brilhar.
Desisti porque enquanto
fazia a escansão, não
vi a paixão ir embora.
Um grande amor, súbito
e arrebatador não
cabe em um verso alexandrino.
Lágrima de um tupi (à Nísia)
No patropi plutocrata
à moda tupiniquim
entre a miséria e a desgraça
a alegria tem seu fim.
Onde tudo é permitido
seja o crime ou carnaval,
opressor e oprimido
na Paulista ou na Central.
A mãe pátria é violada
desde as naves de Cabral.
E as índias nuas choram
sem consolo paternal.
Semeia lágrima tal
a brava tribo do norte,
grito calado afinal
sem canto, somente morte.
à moda tupiniquim
entre a miséria e a desgraça
a alegria tem seu fim.
Onde tudo é permitido
seja o crime ou carnaval,
opressor e oprimido
na Paulista ou na Central.
A mãe pátria é violada
desde as naves de Cabral.
E as índias nuas choram
sem consolo paternal.
Semeia lágrima tal
a brava tribo do norte,
grito calado afinal
sem canto, somente morte.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Retorno
Minha terra já teve palmeiras
onde cantavam sabiás.
Hoje existem no máximo umas pombinhas
que vivem nas praças a ciscar. Tal qual
hienas famintas se digladiando pelo milho
jogado por velhos que não têm nada melhor
para fazer. E ainda por cima, quando voam,
ficam cagando
na cabeça daqueles que sonham em
voltar para a terra do exílio.
onde cantavam sabiás.
Hoje existem no máximo umas pombinhas
que vivem nas praças a ciscar. Tal qual
hienas famintas se digladiando pelo milho
jogado por velhos que não têm nada melhor
para fazer. E ainda por cima, quando voam,
ficam cagando
na cabeça daqueles que sonham em
voltar para a terra do exílio.
Poesia-Consumo (ou Dois hambúrgueres, alface, queijo, molho especial, cebola e pickles em um pão com gergelim)
Tenha vontade, compre, não importa
se não precisa.
Compre, compre.
É belo, é novo, é moda.
Use e abuse, mas, depois jogue fora.
Carro do ano, utilitários,
a maior novidade de todos
os tempos da última semana.
Compre, compre.
Embalagem descartável,
produto descartável,
amizade descartável,
Vida descartável.
Poesia descartável para ser consumida na
fila do cinema (ante-sala da pizza).
Culinária descartável, enlatado
americano para ser consumido à espera
do sexo mercantilizado. Sexo descartável
consumido à espera do amor. Amor mercantil.
Amor para ser consumido à espera da vida.
Vida comprada e vendida em drive thrus.
Basta! Olhai os lírios do campo.
se não precisa.
Compre, compre.
É belo, é novo, é moda.
Use e abuse, mas, depois jogue fora.
Carro do ano, utilitários,
a maior novidade de todos
os tempos da última semana.
Compre, compre.
Embalagem descartável,
produto descartável,
amizade descartável,
Vida descartável.
Poesia descartável para ser consumida na
fila do cinema (ante-sala da pizza).
Culinária descartável, enlatado
americano para ser consumido à espera
do sexo mercantilizado. Sexo descartável
consumido à espera do amor. Amor mercantil.
Amor para ser consumido à espera da vida.
Vida comprada e vendida em drive thrus.
Basta! Olhai os lírios do campo.
domingo, 20 de fevereiro de 2011
46664 (ou O soneto da liberdade)
Ainda que se prenda o
rouxinol num frio cárcere
sozinho, sem a beleza
do vôo, existe esperança.
Nem sol, mandala dos livres
que galga os céus triunfante
da cela é possível ver.
(O pássaro sente inveja).
Tu quiseste a liberdade
dos seus, ensinando-os a
planar. Viraste cativo.
Invicto, conseguiu vencer,
pois, podem prender seu corpo,
mas não calarão seu canto.
rouxinol num frio cárcere
sozinho, sem a beleza
do vôo, existe esperança.
Nem sol, mandala dos livres
que galga os céus triunfante
da cela é possível ver.
(O pássaro sente inveja).
Tu quiseste a liberdade
dos seus, ensinando-os a
planar. Viraste cativo.
Invicto, conseguiu vencer,
pois, podem prender seu corpo,
mas não calarão seu canto.
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