Se fosse possível classificar
nossos preconceitos cotidianos,
tal qual a boa gramática,
com análise morfológica e sintática,
surgiriam tipos bem característicos
de racistas.
O racista substantivo é aquele que dá
nome. Humilha, achincalha, despreza.
O racista adjetivo é o que atribui qualidades
(quase sempre negativas).
Um tipo especialmente perigoso de
racista é o racista verbo. Pratica as
mais vis e desumanas ações. Espanca,
agride, violenta.
Por outro lado temos o racista sujeito simples.
Ele comete suas injúrias sozinho.
As vezes se torna composto, quando se
alia à outros como ele.
Algumas vezes ele é um racista oculto.
Passa despercebido, mas a verdade é que ele está lá.
O racista predicado é o que afirma que
só está sendo o alvo de uma ação e está
respondendo a altura.
O racista advérbio é uma espécie de
pregador do preconceito. Tenta converter
e modificar os que estão a sua volta.
O meu racista gramatical preferido é o racista adversativo.
Ele jura que não é racista, até diz que tem amigos
ou um pé em algum lugar.
Ele faz questão de afirmar em alto e bom som
que não é racista, só para depois dizer:
mas,
porém,
todavia,
contudo,
entretanto,
no entanto,
não obstante,
e esbanjar triunfantemente todo o racismo a que tem direito.
E se tornar um racista superlativo.
Inconfidência (in-con-fi-dên-cia) s. f. - Falta de fé ou de fidelidade para com alguém, especialmente para com o Estado ou o soberano; - Infidelidade, revelação do segredo confiado Subversivo (sub-ver-si-vo) adj. - Próprio para subverter, para solapar o estado de coisas estabelecido: propósitos subversivos. "Ah, Minas Gerais: de onde vem essa rua permanente, clandestina, diária, camuflada, subversiva inconfidência"? (Poema "Por que sonhas, Minas" de Roberto Drummond)
sexta-feira, 3 de julho de 2015
quinta-feira, 2 de abril de 2015
Inocências perdidas
Uma menina na Síria, em um campo
de refugiados, confundiu uma câmera
com uma arma e se rendeu.
O mundo inteiro se comoveu
com tão triste cena.
Disseram que uma criança não
deveria ter sua infância destruída
daquela maneira.
Naquele mesmo instante,
um menino negro, em uma favela
no Brasil, confundiu uma arma
com uma câmera e sorriu.
Levou um tiro de "12" e morreu.
Quase ninguém se importou com
assassinato tão covarde e brutal.
Na semana seguinte, disseram que
uma criança deveria ser julgada e
condenada como um adulto.
sábado, 28 de março de 2015
À segunda vista
Quando a noite escura em mim se abateu
e a esperança da paixão se desfez.
Sensação de que tudo se perdeu
boa intenção transformada em insensatez.
Mas meus olhos pousaram sobre os teus
descobriram a beleza e a candura.
De alegria, o meu mundo se encheu,
sentimento de afeto e de ternura.
Seu sorriso trouxe de volta a paz,
resposta que somente o tempo traz.
De repente, de súbito ocorreu,
à primeira vista, a amizade nasceu,
levou embora o pranto, o medo, a dor.
À segunda vista, encontrei o amor.
e a esperança da paixão se desfez.
Sensação de que tudo se perdeu
boa intenção transformada em insensatez.
Mas meus olhos pousaram sobre os teus
descobriram a beleza e a candura.
De alegria, o meu mundo se encheu,
sentimento de afeto e de ternura.
Seu sorriso trouxe de volta a paz,
resposta que somente o tempo traz.
De repente, de súbito ocorreu,
à primeira vista, a amizade nasceu,
levou embora o pranto, o medo, a dor.
À segunda vista, encontrei o amor.
sábado, 27 de dezembro de 2014
O terrível dom
Eu tenho um terrível dom,
talvez único no mundo.
Eu tenho o dom de estragar
todas as coisas.
Nunca disse eu te amo,
preferia me calar.
Nunca me sacrifiquei por você,
nem troquei meus programas
para ficar contigo.
Nunca cuidei de você quando
ficou doente. Também nunca sorri com você porque conquistaste alguma coisa.
Nunca te dei
presentes sem motivo ou
ocasião.
Nunca te escrevi
poemas, fiz desenhos ou canções
de amor.
Nunca fiz nada disso, por que
tenho o dom de estragar todas as coisas.
Não te devo satisfação das coisas que faço. Não te devo desculpas, pois nunca me importei em te magoar. Nunca te agradeci por nada que me fizeste, nunca lutei por você, nunca me entreguei por você. E se não me amas mais, é exatamente por isso: eu tenho o dom de estragar todas as coisas.
Nunca rezei com você, nunca chorei com você,
nunca sofri com você, nunca cresci com você,
se teus melhores dias são os que não me vê é unicamente pelo fato de que eu tenho o dom de estragar todas as coisas.
Estrago teu sonho,
estrago teu sorriso,
estrago tua alegria.
Não o faço por que quero, mas porque tenho o dom de estragar todas as coisas.
Simplesmente assim:
o terrível dom de estragar todas as coisas.
talvez único no mundo.
Eu tenho o dom de estragar
todas as coisas.
Nunca disse eu te amo,
preferia me calar.
Nunca me sacrifiquei por você,
nem troquei meus programas
para ficar contigo.
Nunca cuidei de você quando
ficou doente. Também nunca sorri com você porque conquistaste alguma coisa.
Nunca te dei
presentes sem motivo ou
ocasião.
Nunca te escrevi
poemas, fiz desenhos ou canções
de amor.
Nunca fiz nada disso, por que
tenho o dom de estragar todas as coisas.
Não te devo satisfação das coisas que faço. Não te devo desculpas, pois nunca me importei em te magoar. Nunca te agradeci por nada que me fizeste, nunca lutei por você, nunca me entreguei por você. E se não me amas mais, é exatamente por isso: eu tenho o dom de estragar todas as coisas.
Nunca rezei com você, nunca chorei com você,
nunca sofri com você, nunca cresci com você,
se teus melhores dias são os que não me vê é unicamente pelo fato de que eu tenho o dom de estragar todas as coisas.
Estrago teu sonho,
estrago teu sorriso,
estrago tua alegria.
Não o faço por que quero, mas porque tenho o dom de estragar todas as coisas.
Simplesmente assim:
o terrível dom de estragar todas as coisas.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2014
Simpatia
Para conseguir atrair felicidade,
não é preciso muita criatividade.
Basta uma dose de simplicidade
e um pouquinho de vontade.
Não é necessário muito dinheiro,
nem conquistar o mundo inteiro.
Não importa se é mineiro,
ou do Rio de Janeiro.
Durante a virada do ano,
pegue nove sementes de romã,
mergulhadas a noite inteira
em um suco de maçã.
Três se jogam para trás
pensando no que mais desejar,
em homenagem ao rei mago,
o africano Baltazar.
Três se põem na carteira
dentro de um saco vermelho.
As três últimas se engole,
como diz o bom conselho.
O segredo da felicidade
não é a cor da calcinha,
nem se é pescoço de peru
ou se é coxa de galinha.
Para conseguir atrair felicidade,
basta um pouquinho de bondade,
ter alguém com quem se dance,
e que nunca falte um bom romã-se!
não é preciso muita criatividade.
Basta uma dose de simplicidade
e um pouquinho de vontade.
Não é necessário muito dinheiro,
nem conquistar o mundo inteiro.
Não importa se é mineiro,
ou do Rio de Janeiro.
Durante a virada do ano,
pegue nove sementes de romã,
mergulhadas a noite inteira
em um suco de maçã.
Três se jogam para trás
pensando no que mais desejar,
em homenagem ao rei mago,
o africano Baltazar.
Três se põem na carteira
dentro de um saco vermelho.
As três últimas se engole,
como diz o bom conselho.
O segredo da felicidade
não é a cor da calcinha,
nem se é pescoço de peru
ou se é coxa de galinha.
Para conseguir atrair felicidade,
basta um pouquinho de bondade,
ter alguém com quem se dance,
e que nunca falte um bom romã-se!
sexta-feira, 5 de dezembro de 2014
Olhar da janela
No pavilhão feminino,
ela me olha pela janela.
O céu está nublado,
o sol não mostrou seu rosto.
Ela continua me olhando pela janela.
O vazio é o que preenche.
Paradoxos? Nos interstícios
disputam espaço o medo e
esperança (ó dura palavra e nobre sentimento)
Ela disse que tudo ia ficar bem.
Mas de longe, ao vê-la me olhar
pela janela, não percebo seu
sorriso cativante e o brilho
em seus olhos.
Ela acena. (Será a redenção?)
Ela exita. (Busco sinais)
Ela continua a me olhar pela
janela.
Sinto seu medo nessa cena
distante. Dúvidas, receios,
incertezas.
É primavera em tão distante
recôndito de minha terra. Deixo
minha flor na janela, pois agora ela
deve criar raízes.
Devo regar. (Nem muito para não encharcar, nem pouco para não
sufocar).
Fui embora.
Mas ela continuou a olhar pela
janela.
ela me olha pela janela.
O céu está nublado,
o sol não mostrou seu rosto.
Ela continua me olhando pela janela.
O vazio é o que preenche.
Paradoxos? Nos interstícios
disputam espaço o medo e
esperança (ó dura palavra e nobre sentimento)
Ela disse que tudo ia ficar bem.
Mas de longe, ao vê-la me olhar
pela janela, não percebo seu
sorriso cativante e o brilho
em seus olhos.
Ela acena. (Será a redenção?)
Ela exita. (Busco sinais)
Ela continua a me olhar pela
janela.
Sinto seu medo nessa cena
distante. Dúvidas, receios,
incertezas.
É primavera em tão distante
recôndito de minha terra. Deixo
minha flor na janela, pois agora ela
deve criar raízes.
Devo regar. (Nem muito para não encharcar, nem pouco para não
sufocar).
Fui embora.
Mas ela continuou a olhar pela
janela.
domingo, 19 de outubro de 2014
Elo
Nem a longa distancia intransponível
E nem o passado que tudo assola.
Nem o presente, instante perecível,
Ou a saudade que o tempo não consola.
Como a primavera que sempre volta,
Como a palavra dita que ecoa.
Como o linho raro que não desbota,
Como a mãe que ao filho abençoa.
É uma dádiva humana e divina,
Nasce do encanto e da admiração.
Tem mais valor que a pedra mais fina.
Faz morada dentro do coração.
O amor é o mais sublime e mais belo,
O mais forte e inquebrantável dos elos.
E nem o passado que tudo assola.
Nem o presente, instante perecível,
Ou a saudade que o tempo não consola.
Como a primavera que sempre volta,
Como a palavra dita que ecoa.
Como o linho raro que não desbota,
Como a mãe que ao filho abençoa.
É uma dádiva humana e divina,
Nasce do encanto e da admiração.
Tem mais valor que a pedra mais fina.
Faz morada dentro do coração.
O amor é o mais sublime e mais belo,
O mais forte e inquebrantável dos elos.
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